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Final Fantasy XVI
POSSUI TRAILER
Gêneros
RPGAçãoJRPG
Plataformas
PS5

Final Fantasy XVI

Square Enix|Square Enix|2023

Medalha de OURO
8.8Nota UPQ
Metacritic
Média Geral
Comunidade

Visualização Cinemática

Final Fantasy XVI — Um Épico Sombrio que Troca o RPG Clássico por Espadas e Espetáculo

Mateus
Por Mateus·05/07/2026
NOTA UQP
EXCELENTE
8.8/10

Existe uma cena, ainda nas primeiras horas de Final Fantasy XVI, em que dois Eikons colidem no céu e o chão inteiro racha sob o impacto — e o jogo, sem pudor, transforma isso numa sequência jogável, não numa cutscene passiva. É a declaração de intenções mais honesta que a Square Enix poderia dar: este não é o Final Fantasy que você jogou nos anos 2000, com menus de comando e grupos de quatro. É um épico de ação que usa a mitologia da série — cristais, invocações, o fim do mundo — como matéria-prima para o espetáculo mais puro que a franquia já produziu.

O combate é, sem exagero, o melhor já visto num Final Fantasy. Com Ryota Suzuki, veterano de Devil May Cry 5, na direção de sistema, Clive Rosfield controla como um espadachim de action game de verdade: combos aéreos, esquivas cronometradas, contra-ataques que abrem janelas de dano absurdas. Os poderes dos Eikons — o gancho de fogo de Ifrit, o teleporte relâmpago de Ramuh, a foice congelante de Garuda — se acumulam ao longo da campanha e podem ser trocados livremente, criando combos que lembram mais Bayonetta do que qualquer RPG por turnos. É viciante do primeiro ao último encontro, mesmo quando o desafio raramente sobe além do confortável.

E então vêm os Eikons de verdade — as invocações gigantes se enfrentando em sequências que apagam a linha entre jogo e cinema. Ifrit contra Garuda em pleno ar, Bahamut e Odin trocando golpes que reformam a paisagem ao redor, o confronto final com escala que ultrapassa qualquer coisa que a série já tentou. São, provavelmente, as melhores batalhas de inovação já feitas em um jogo — visualmente arrebatadoras, mecanicamente simples o suficiente para nunca tirar o jogador do assombro, e amplificadas por uma trilha de Masayoshi Soken que sobe e desce de intensidade em tempo real junto com a ação.

A história aposta em um tom que a franquia raramente arriscou: political drama sombrio, com escravidão institucionalizada dos Portadores, traições dinásticas e violência gráfica que earn o rating 18+. Clive carrega a vingança pela morte do irmão Joshua como motor emocional, mas é o elenco ao redor que dá textura ao mundo — Jill Warrick, refém política que esconde décadas de dor sob uma fachada gentil; Cid, o rebelde carismático que aglutina Portadores fugitivos; e Torgal, o lobo-companheiro que, apesar de simples na IA, se torna o coração silencioso de cada cutscene em que aparece. É uma história que demora para amarrar todas as pontas, mas quando amarra — sobretudo no terço final — acerta com uma força rara na série.

O problema é tudo que fica entre as cutscenes principais. As "open zones" do jogo — áreas maiores e mais abertas conectadas por corredores lineares — são uma solução inteligente para evitar o vazio de um mundo aberto genérico, mas as side quests que povoam essas áreas raramente aproveitam o espaço: são, majoritariamente, recados de "fale com esta pessoa, busque este item, volte" sem qualquer liberdade de resolução, num contraste direto com os Contratos de Caça, que ao menos dão uma razão mecânica (loot, chocobos, itens de crafting) para existir. E a reta intermediária da campanha, especialmente as missões de reconstrução do Covil Aterrissado, transforma o ritmo antes elétrico em uma sucessão de tarefas administrativas que travam a história bem no momento em que ela deveria acelerar.

Também vale dizer, para quem vem pela bagagem RPG da série: Final Fantasy XVI esvaziou quase todo o esqueleto tradicional do gênero. Não há grupo controlável, não há classes, não há builds profundas de equipamento — Clive é o único personagem jogável do início ao fim, e a progressão se resume a acessórios e à ordem em que você equipa habilidades de Eikon. É uma escolha de design coerente com a ambição de ser um action game de primeira linha, mas deixa o "RPG" do título carregando menos peso mecânico do que qualquer entrada numerada recente.

No quesito técnico, o PS5 oferece dois modos: Qualidade, em 2160p e 30fps upscalado, e Performance, em 1440p e 60fps upscalado — mas o Performance derrapa para a faixa dos 40fps em cenas de maior carga, principalmente durante os Eikons com mais partículas na tela, e as cutscenes ficam travadas em 30fps independentemente do modo escolhido. Não chega a comprometer a experiência, mas é um recordatório de que a ambição visual do jogo (e ela é real — os visuais de Valisthea, especialmente em Qualidade, são de tirar o fôlego) testa os limites do hardware de console.

Final Fantasy XVI não é o Final Fantasy que vai satisfazer quem sonha com um retorno ao ATB clássico ou aos grupos de quatro heróis — e não tenta ser. É, em vez disso, uma prova de que a Square Enix consegue produzir um action-RPG de altíssimo nível quando decide abraçar totalmente o gênero, com Eikons que vão ficar na memória de qualquer jogador que os viu na tela por muito tempo depois dos créditos.

+ PRÓS

  • Batalhas de Eikon são espetáculos de câmera, escala e coreografia que redefinem o que uma luta de RPG pode parecer na tela
  • Sistema de combate dirigido por Ryota Suzuki (Devil May Cry 5) entrega combos, esquivas e finalizadores com a fluidez de um action game puro-sangue
  • Trilha sonora orquestral de Masayoshi Soken é um dos pontos mais altos da trilogia sonora da franquia, com temas que mudam de intensidade em tempo real durante os Eikons
  • Tom adulto e político — escravidão dos Portadores, disputas de poder entre reinos, violência explícita — dá à história um peso raramente visto na série
  • Torgal, o lobo-companheiro, e o vínculo entre Clive e Jill sustentam o lado emocional da trama sem depender de exagero

- CONTRAS

  • A maioria das side quests é fetch quest disfarçada: buscar item, falar com quatro NPCs, voltar — sem a liberdade que os Contratos de Caça (Hunts) oferecem
  • O RPG tradicional foi esvaziado: não há controle de grupo, sistema de classes ou build profunda — Clive é o único personagem jogável do início ao fim
  • Ritmo cai visivelmente na reta intermediária, sobretudo nas missões de reconstrução do Covil Aterrissado, que travam a história por horas de tarefas administrativas
  • Modo Performance promete 60fps mas derrapa para a faixa dos 40fps sob estresse, e as cutscenes ficam travadas em 30fps em qualquer modo

Conclusão Detalhada

"Final Fantasy XVI é o Final Fantasy mais sombrio, mais cinematográfico e mais tecnicamente afiado em combate que a série já produziu, sustentado por batalhas de Eikon que redefinem o que um confronto de RPG pode parecer. A generosidade da campanha esbarra em side quests de recado e numa estrutura que, vez ou outra, trata o jogador como espectador — mas quando o jogo quer impressionar, poucos títulos da geração impressionam tanto."

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Especificações Técnicas

Desenvolvedora
Square Enix
Publicadora
Square Enix
Lançamento
22/06/2023
Plataformas
PS5
Faixa Etária
18+
Preço Sugerido
R$ 299,90
Tempo de Campanha
35-50 horas
Idiomas Suportados
Inglês, Japonês
Multijogador
Apenas Offline