Compra bilionária da EA pelo fundo saudita PIF passa do prazo e fica travada em revisão regulatória


O acordo de US$ 55 bilhões que tiraria a Electronic Arts da bolsa perdeu o prazo original de 30 de junho e agora depende de decisões da União Europeia previstas para os dias 22 e 30 de julho, além da revisão de segurança nacional do CFIUS nos EUA.
O que seria a maior aquisição alavancada (LBO) da história dos games — a compra da Electronic Arts por US$ 55 bilhões, a US$ 210 por ação, por um consórcio liderado pelo fundo soberano saudita PIF (Public Investment Fund), junto com a gestora Silver Lake e a Affinity Partners, de Jared Kushner — não fechou no prazo original de 30 de junho de 2026 e segue em compasso de espera regulatório. Os acionistas da EA já aprovaram o negócio em dezembro de 2025 por larga maioria, e a revisão antitruste americana (Hart-Scott-Rodino) já foi liberada, mas o acordo depende agora de decisões pendentes tanto nos Estados Unidos quanto na União Europeia.
Na Europa, segundo reportagem da Reuters replicada pelo site especializado SimsCommunity e confirmada por um registro da própria Comissão Europeia citado pela Finance Monthly, o consórcio comprador pediu formalmente a liberação sob o regime de Subsídios Estrangeiros da UE, com decisão preliminar prevista para 30 de julho de 2026 — a Comissão pode aprovar o negócio sem restrições ou abrir uma investigação mais aprofundada caso identifique problemas. Uma decisão antitruste separada está marcada para 22 de julho. Nos Estados Unidos, o obstáculo que resta é o CFIUS (Comitê de Investimento Estrangeiro nos Estados Unidos), órgão que avalia riscos de segurança nacional em aquisições estrangeiras — no caso da EA, o escrutínio gira em torno do acesso do fundo saudita a dados de milhões de contas de jogadores americanos e à tecnologia de IA da publisher.
A pressão por escrutínio não vem só de reguladores: o sindicato americano CWA (Communications Workers of America) enviou cartas formais ao FTC e ao CFIUS pedindo revisão rigorosa do negócio, citando riscos à concentração do mercado de trabalho, à privacidade de dados de consumidores e à influência de capital soberano estrangeiro sobre uma das maiores publishers do setor. Arquivamentos públicos da EA na SEC mostram, paralelamente, que o consórcio fez extensões de prazos em ofertas ligadas ao fechamento da transação — um sinal técnico de que as partes seguem se posicionando para um fechamento mais adiante no ano, e não abandonando o acordo.
Para o jogador de PS5, o desfecho importa porque a EA é uma das maiores fornecedoras de franquias multiplataforma do catálogo da Sony — EA Sports FC, Madden, Battlefield, Apex Legends e The Sims, entre outras. Uma eventual conclusão do negócio sob controle majoritário de um fundo soberano estrangeiro reacende debates recorrentes na indústria sobre concentração de capital, prioridades de investimento em jogos-serviço e o quanto isso pode influenciar o ritmo e as prioridades de lançamento dessas franquias nos próximos anos — mas, por ora, o status é de espera: nenhuma das partes sinalizou intenção de desistir, e as próximas datas-chave (22 e 30 de julho, na Europa) devem indicar se o negócio finalmente destrava.
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